Tiago Sala ([info]tito_sala) wrote,

Da objetividade à subjetividade, da verdade à opinião.

Outro dia surgiu uma dúvida a respeito do tipo de discurso a ser empregado em uma dissertação. Não sobre qual discurso deve ser empregado, mas sim sobre o discurso objetivo em si.

Essa dúvida surgiu quando fiz a comparação entre objetividade e subjetividade.

Aparentemente existe uma diferença de grau entre ambas. Se no discurso subjetivo há um “achismo” em relação ao tema, no discurso objetivo há um “autoritarismo”. Troca-se o “acho” pelo “é”.

O dicionário tem por dissertação o exame minucioso de determinado assunto. Ora, esse exame remete, no que diz respeito a uma redação, única e exclusivamente à própria opinião do autor, visto que, não se tratando de uma tese científica, tanto a experiência (empírica) quanto a comprovação matemática não são utilizadas.

Se ambas não são utilizadas então o próprio discurso não passa de um exercício de retórica e a argumentação do autor está obrigatoriamente sujeita à sua subjetividade.

Contudo, pode-se argumentar que essa “opinião” é decorrente da experiência pessoal do autor, e esta pode ser entendida como empírica (sei que se A então B porque presenciei o fenômeno) ou mesmo fundamentada por citações de autores reconhecidos (determinado autor diz que se A então B).

Entretanto, essas afirmações não são verdadeiras.

Mesmo que tratemos a experiência pessoal como experiência empírica (e isso nos serviria como comprovação da verdade proposta no discurso), a relação entre opinião (tida como verdade) e experiência não é direta.

Não é direta porque toda experiência chega à nossa razão (e, portanto à nossa capacidade de examinar) por meio dos sentidos e esses sentidos funcionam como filtros (vide a diferença de matizes para uma abelha e para um ser humano). Se são filtros, então o que chega à nossa razão é apenas uma parcela da verdade. Partindo dessa “parcela da verdade” o exame se dá, fundamentalmente, na comparação desse fenômeno com outros fenômenos (A em relação a B, em relação a C, etc). Ou seja, parcelas de verdade comparadas a parcelas de verdade.

Logo, esse exame só seria completo (ou seja, seria uma verdade) se a comparação fosse absoluta (A em sua totalidade comparado a Tudo).

Da mesma maneira, as citações não servem como fundamentação da verdade, pois só podem ter sido escritas da mesma forma (utilizando a experiência ou outras citações).

E mesmo que o autor, na dissertação, utilize todos os tipos de argumentação (experiências, citações, matemática, ciência, retórica, etc), isso seria insuficiente. Ainda assim não chegaria ao campo da verdade. Continuaria no campo da opinião. De outra forma, se de posse da verdade (e acredito que não a temos), a ciência estaria completa e não haveria mais nada a ser descoberto ou pesquisado; a filosofia teria encontrado o argumento último e não mais poderia ser contestada; a matemática seria o instrumento final e definitivo; só haveria “a citação”; a retórica seria extinta.

Portanto, nossa objetividade estará sempre sujeita à nossa subjetividade e nossa verdade sempre será uma opinião autoritária.

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  • 3 comments

[info]costela

November 19 2005, 02:11:22 UTC 6 years ago

Por isso existe o conceito de "verdade científica", que equivale a dizer "verdade enquanto ninguém mais proficiente em retórica conseguir contestar com algum tipo de experimento teoricamente empírico".

Pra mim tá ótimo, inclusive.

Anonymous

November 21 2005, 15:53:44 UTC 6 years ago



É pra isso que existe a Fapesp, a gente pede uma bolsa de pesquisa e fica com os equipamentos.

Qual pesquisa??? que se foda é tudo retórica mesmo!!!

Anonymous

November 22 2005, 21:06:37 UTC 6 years ago

Costela (no escritório... blablabla)

Será que eu consigo convencer a Fapesp a me financiar uma pesquisa que envolva 3 putas tailandesas contratadas por período integral e tempo indeterminado?
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